quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Olhei para o caderno aberto diante de mim

Aquele papel em branco parecia chamar por alguma coisa a mais, algo que o preenchesse de uma forma ou de outra. Eu precisava colocar vida naquela tela monótona e vazia. Segurei firme a caneta e rabisquei. Nossa, que confusão de traços, e de formas, de curvas, de retas, mais que sobe e desce, que loucura... e, de repente, sem nada planejar, uma flor. Como ela fora parar ali? Pétalas não muito bem formadas, e um miolo que de longe não poderia ser considerado um círculo exatamente, mas era uma flor, não havia contestação. Ela estava ali, no meio da bagunça, perdida. Só gostaria de ser notada, só desejava que a fosse dado um pouco mais de atenção. Afinal, ela era tão bonitinha! Admirei-a por um tempo. Depois fechei meu caderno e resolvi finalmente me concentrar no meu quase impossível trabalho de Química.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Pessoas

Pessoas tristes, pessoas distraídas, pessoas novas, pessoas velhas, pessoas estranhas, pessoas que cantam, pessoas que correm, pessoas comilonas, pessoas que voltam, pessoas iluminadas, pessoas confusas, pessoas gordas, pessoas belas, pessoas sonhadoras, pessoas que escutam, pessoas que falam, pessoas descoladas, pessoas bregas, pessoas diferentes, pessoas que acreditam, pessoas loucas, pessoas sorridentes, pessoas pra baixo, pessoas que mexem, pessoas brincalhonas, pessoas que giram, pessoas que quebram as regras, pessoas que seguem as regras, pessoas que gargalham, pessoas beijoqueiras, pessoas que ajudam, pessoas que sofrem, pessoas que desejam, pessoas certas, pessoas erradas, pessoas que amam, pessoas que aprendem, pessoas que caem, pessoas fofas, pessoas voadas, pessoas quebradas, pessoas que criam, pessoas corajosas, pessoas cagonas, pessoas que sabem, pessoas que abraçam, pessoas que vivem, pessoas que esperam, pessoas que se orgulham, pessoas que pensam, pessoas que agem, pessoas que mudam.

domingo, 15 de novembro de 2009

Eu tinha escolhido daquele jeito...

Afinal a idéia tinha sido MINHA. Mas por que será que o medo ainda percorria minha mente, meus instintos, meu coração? Era assim que ia ser, eu havia planejado tudo, pesquisado sobre o assunto, armado planos, virado a noite me aprofundando em cada minúsculo detalhe sobre como entraríamos naquele lugar sinistro. E a hora finalmente tinha chegado. Eu tentava dar mais um passo que me levaria ao último degrau, mas meus músculos não se moviam (diferente de meus neurônios que pareciam decididos a explodir). Mas eu tinha que ir, tinha que tomar a frente de minhas irmãs medrosas. Precisava pelo menos aparentar ter um pouco mais de coragem do que havia realmente dentro de mim. Era agora ou nunca.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

"Quando queremos algo com todo o nosso coração

o universo conspira para que possamos consegui-lo." (Paulo Coelho)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Não é um anjo?




Te amo cada vez mais.

sábado, 24 de outubro de 2009

"(...) Bem lá no céu uma lua existe

Vivendo só no seu mundo triste."

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

"No seu desvario,

o homem colérico se revolta contra tudo, desde a natureza bruta aos objetos inanimados que ele quebra porque não lhe obedecem. Ah, se nesses momentos ele pudesse se ver a sangue frio, teria pena de si mesmo, ou se acharia bem ridículo. Que julgue por aí, a impressão que deve causar nos outros. Ainda que seja por respeito a si mesmo, ele deveria se esforçar para vencer uma tendência que o faz digno de piedade." (Um espírito protetor)

sábado, 10 de outubro de 2009

A dor da saudade

Estava sentada e imóvel na beira de sua cama com os pés em cima da mesinha de cabeceira há horas. As mãos moles e doloridas se encontravam entre suas coxas que expunham manchas avermelhadas que teriam surgido por causa telefone que ainda se encontrava apertado entre seus dedos. Suas olheiras indicavam uma noite em claro, e o som da voz de sua mãe gritando o café da manhã ainda zunia em seus ouvidos. Seu estômago urgia secretamente. Sua enorme cabeleira morena e sedosa escorria em suas costas molhadas de suor. Seu corpo doía e pedia socorro. Mas nada disso poderia ser comparado à dor que tomava conta de seu coração. Não chegava nem mesmo perto da angústia que ardia em seu peito e que deixava seu cérebro em chamas. O grito de desespero ainda se encontrava entalado em sua garganta como uma enorme bola de ping-pong. Cobras pareciam tomar conta de suas veias, e a cada minuto elas pareciam injetar cada vez mais veneno por todo o seu corpo. Ele havia partido. Deixou-a para trás. Se foi e nem ao mesmo se despediu, nem ao menos acenou para ela. Nem ao menos avisou que ia. Não. Ele foi e não ia mais voltar. Seus olhos verdes e brilhantes não iam mais fitá-la. Seus lábios finos e delicados não iam mais lhe dar um suave beijo na testa pela manhã. Suas palavras não poderiam mais alcançar seus ouvidos. Ela finalmente pensou. Eis o que pensou: "Oh meu papai, meu querido pai, meu amado e dedicado pai, eu sempre te amarei!" E então se jogou aos pés de sua cama com uma lágrima que finalmente escorrera. E ali ficou. Por quanto tempo? Não, eu não saberia dizer. Mas um dia, podem ter certeza do que digo, ela se levantou.